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Como eu gosto de costura, eu sempre escuto “a alta costura” e sempre fico me perguntando o que é a alto costura.

Pesquisando fui encontrando através da história. 

Em 1859 talvez seja determinado o ano da “Alta Costura” e por que não dizer da “Moda”.

Com a revolução industrial, as pessoas adquiriram  máquinas de costuras e e daí começaram a costurar suas próprias roupas.

 

Um inglês, isto mesmo não é um francês, de nome Charles Frederick Worth, considerado primeiro estilista do mundo, costurava e criava seus próprios modelos para aristocracia, em seu próprio ateliê em Paris, na Rue de la Paix.

Ele  vendia seus vestidos exclusivos para aristocratas que ele selecionava, através de indicações de quem  já era seus clientes. As roupas eram criadas a seu gosto, sem interferências dos desejos das madames. Essas iam até ele atrás de seu poder criativo, e não ele quem corria atrás de clientes para satisfazê-las. Surgia então a ideia de artista e deixava-se para trás a figura do simples costureiro, reprodutor de modelos. Foi de Worth também a ideia de usar uma “modelo” para desfilar suas peças, que no caso foi a sua esposa, Marie.

A Alta Costura ainda não tinha esse nome, no final da década de 1850 todas as pessoas que fabricavam roupa em Paris resolveram constituir uma espécie de Associação da Costura. Com o tempo, a Alta Costura passou a ter vida própria por suas características diferenciadas, sobretudo os conceitos de requinte e unicidade.  Em 1910, finalmente ela recebeu a denominação que a identifica até hoje.  

Nesta mesma época, quem brilhou foi Paul Poiret, um estilista visionário que criou até logotipo para sua marca e desenvolveu etiquetas para suas criações, conhecidas por abolir a tortura do espartilho da vida das mulheres e explorar a riqueza das cores do Oriente em coleções desejadas por toda a elite europeia.   

O termo alta-costura muitas vezes é usado sem que se saiba seu verdadeiro significado. Para que uma peça seja, de fato, haute couture, não basta ela ser produzida na França, ela deve ser inteiramente desenvolvida em Paris. Além disso, deve ser feita especialmente para um cliente, de acordo com suas medidas pessoais, utilizando materiais nobres e as mais apuradas técnicas manuais de costura e bordado.

Na França, o termo haute couture é protegido por lei, só pode dizer que produz alta-costura a grife que cumpre todas as regras.

Ainda que suas peças fossem super exclusivas e feitas com todo requinte e luxo, o nome Alta Costura ainda não era usado para denominar esse tipo de trabalho. Em 1868 foi criada a Le Chambre Syndicale de la Haute Couture, mas somente em 1908 que o termo haute couture foi criado e usado pela primeira vez. O termo é legalmente registrado e só pode ser usado para denominar as maisons que, aprovadas pela Chambre, fazem parte desse seleto grupo, que é revisado e atualizado anualmente. Nenhuma marca além desse grupo pode se carregar essa denominação, pois alta costura só é feita em Paris, por estas maisons. Na Itália, as marcas que fazem roupas exclusivas de luxo são chamadas de alta moda e nos Estados Unidos de high fashion, por exemplo.

Existem  regras, que foram criadas em 1945 e atualizadas em 1992. Essas regras, inclusive, foram criadas para preservar a Alta Costura na França, já que nesse período, quando ocorria a 2ª Guerra Mundial, Hitler tentou levá-la para Berlim. São algumas delas:

 

 

 

 

 

 

–  as maisons, como são chamadas, devem ter sede em Paris, com endereço no Triangle D’or, composto pelas avenidas Champs-Elysées, Montagne e Geroge V;

–  as peças devem ser sob encomenda, sob medida, com uma ou mais provas;

– elas também devem ser feitas de forma artesanal, sem interferência de máquinas;

– a ateliê deve contar com pelo menos 20 funcionários;

– a cada temporada, deve apresentar 35 modelos diferentes, entre peças para o dia e para noite (ou seja, não é só vestido de festa, mas roupa para o dia a dia também).

Um cliente pode pagar mais de 100 mil dólares por um vestido, porque além da exclusividade de ter uma peça única, essa peça chegam a demandar mais de 400 horas de trabalho. E essa mão de obra é altamente especializada, sendo que muitos dos bordados de grandes grifes, como Chanel e Dior, são realizados pela tradicional casa Lesage, fundada em 1922 por Albert Lesage.

Em 1939, no final da guerra já existiam setenta casas registradas em Paris, incluindo grandes estabelecimentos como Chanel, Elsa Schiaparelli e Balenciaga. A indústria sofreu muito durante a Segunda Guerra Mundial e com a ocupação de Paris pelas tropas alemãs, que fechou as portas de diversas maisons e fez as vendas internacionais quase desaparecerem.  Os alemães chegaram, inclusive, a planejar a “mudança” do mundo da alta-costura para Berlim, porém Lucien Lelong, então presidente da Câmara Sindical da Alta-Costura, bateu o pé e saiu vitorioso: “É em Paris ou não será em lugar nenhum”.

Após guerra, no dia 12 de fevereiro de 1947, Christian Dior abriu as portas de sua maison. Sua coleção era a antítese da rígida moda dos tempos de confronto. Os modelos com cintura marcada e saias volumosas foram batizados por Carmel Snow, então editor da revista americana Harper’s Bazaar, como New Look. A quantidade de tecido necessária para se produzir um vestido no estilo New Look causou revolta em Londres, onde as regras de racionamento da época de guerra ainda eram válidas em 1947. 

A coleção foi apresentada secretamente à Rainha Elizabeth e a outros membros da realeza britânica na embaixada francesa em Londres. Embora inicialmente condenado pelo British Board of Trade, órgão de comércio do Reino Unido, o New Look e a alta-costura acabaram ganhando popularidade, especialmente depois que a Princesa Margaret aderiu à moda. O sucesso internacional foi tamanho que em 1949 somente a Dior era responsável por 5% do valor das exportações francesas.

“Hoje a Alta Costura não é mais um fator importante para a economia, mas um notável meio publicitário, do qual depende a fama de um grande estilista”, disse Gertrud Lehnert, no livro História da Moda do século XX. Realmente as roupas de Alta Costura em si são apenas o quinto elemento levado em consideração para manter a sustentabilidade financeira das Maisons. “Em primeiro lugar, elas ganham com a venda de perfumes; em segundo, com a linha de cosméticos; em seguida, com acessórios; depois, com a linha de prêt-à-porter e somente em quinto lugar vem o lucro obtido com a venda das peças exibidas em desfile”, enumera o professor João Braga. 

Hoje, há 14 membros oficiais entre maisons tradicionais como Dior e Chanel e novatos como Alexandre Vauthier, Bouchra Jarrar e a chinesa Yiging Yin (recém-aprovada para o seleto time, em dezembro passado), além de sete membros correspondentes (Giorgio Armani e Alaia na lista) e 22 estilistas convidados.

Confira abaixo o calendário completo da semana de Alta Costura de Paris e acompanhe nos redes @ffw para ver fotos quentes dos desfiles e bastidores.

Domingo (03.07.2016)

8h Couturissimo

9h Yuima Nazakato

9h30 Alberta Ferretti

10h Francesco Scognamiglio

10h15 Claes Iersen

11h Adeline André

12h Ulyana Sergeenko

13h Vetements

14h Guo Pei

14h15 Faustine Steinmetz

Segunda-feira (04.07.2016)

5h Schiaparelli

6h30 Georges Hobeika

7h Iris Van Herpen

8h On Aura Tout Vu

9h30 Christian Dior

10h30 Lee Young Hee

13h30 Ralph & Russo

14h30 Giambattista Valli

15h30 Serkan Cura

15h30 Tony Ward

Terça-feira (05.07.2016)

5h Chanel

5h15 Rami Kadi

6h Aouadi

6h15 Ronald van den Kemp

8h30 Alexis Mabille

9h30 Stephane Rolland

10h15 Rami Al Ali

10h30 Georges Chakra

11h Giles

11h Joulien Fournié

12h J.Mendel

12h30 Yanina

13h Giorgio Armani Privé

13h30 Ludovic Winterstan

14h Alexander Vauthier

Quarta-feira (06.07.2016)

5h Maison Margiela

5h30 Ashi Studio

6h Bowie Wong

6h Frank Sorbier

7h30 Elie Saab

9h30 Jean Paul Gaultier

11h Viktor&Rolf

12h Zuhair Murad

13h30 Valentino

14h30 Ziad Nakad

Bernard Arnault já disse que a alta-costura não dá dinheiro. Ela, sim, é uma excelente vitrine. Provoca desejo quando usada em tapetes vermelhos por celebridades como Jennifer Lopez (de Giambattista Valli Couture), Lady Gaga (Atelier Versace) e Kirsten Dunst (Valentino Couture) no Globo de Ouro deste ano. Também aumentou o alcance de suas imagens graças à velocidade da divulgação de seus looks na internet, replicados nas mídias sociais. Com a globalização, suas consumidoras vêm de vários países, com aumento do número de mulheres do Oriente Médio e da Ásia. As vendas têm crescido de 20% a 30% (dados, respectivamente de Chanel e Valentino, referentes a 2014, segundo o WWD) de alguns anos para cá, o que explica cenas como a do documentário “Dior e Eu”, em que a costureira chefe da haute couture abandona Raf Simons em pleno processo de confecção de seu primeiro desfile para a maison para pegar um avião e atender uma cliente internacional (as vendas de alta-costura da Dior também cresceram sob a batuta de Simons).

Acima de todos esses argumentos, porém, há um fato maior. O prêt-à-porter de luxo não é mais o mesmo, o que torna a existência da alta-costura não só aceitável, mas necessária. Foi-se o tempo em que as marcas de ready to wear dedicavam às passarelas coleções superconceituais e deixavam para as lojas os desdobramentos comerciais. Hoje, os clientes assistem ao vivo às apresentações, olham cada look detalhadamente pela internet, o que exige que aquela roupa, tal qual foi apresentada, esteja disponível para compra. Não há mais tempo nem espaço para apresentar uma peça muito diferente do que será vendido e pedir que o comprador tenha paciência: aquela é a imagem conceito, a essência criativa da coleção elaborada pelo estilista, daqui a alguns meses ela será digerida e transformada em outra roupa, não essa que você viu, mas algo extremamente desejável e com qualidade semelhante, só que com o conceito mais diluído para ser usada na vida real.

A aproximação entre cliente final e desfile de passarela mudou a forma de criar e apresentar as coleções de desfile, e isso não necessariamente é ruim. Mas sobrou menos espaço para as experimentações radicais, para os arroubos de sonho e fantasia, para o luxo desmesurado e deslumbrante. E é aí que a alta-costura entra e se faz útil. “A alta-costura é o que dá ao nosso negócio a essência primordial do luxo. E é onde colocamos em prática nossas ideias”, diz Arnault. E são essas imagens e ideias, no final, que vão ajudar a moda a girar e os consumidores a devorarem, com vestidos de sonho na cabeça, batons, bolsas e perfumes que carregam um pouco da aura e o mesmo nome da marca.

As maiores consumidoras da Alta costura são:

1. Daphne Guinness é herdeira da cerveja irlandesa e um dos rostos mais emblemáticos da moda de luxo. Tem um estilo ousado e original e é dona de um guarda-roupa que inclui 2.500 peças de Couture. 100 delas ficaram expostas no museu do FIT. Amiga de Alexander McQueen, em 2010 comprou toda a coleção de peças do estilista que pertenceu a Isabella Blow. Entre seus estilistas preferidos, estão Azzedine Alaia e Karl Lagerfeld.

O closet de Daphne Guinness, que foi objeto de uma exposição no museu novaiorquino FIT em 2011, é um acervo com o que há de melhor da moda e da alta costura recente incluindo peças de Alexander McQueen, Valentino, Lacroix ou sapatos sem salto com plataformas altíssimas feitos exclusivamente para ela. Esse closet ficou um pouquinho menor ontem com a venda de 88% dos 102 lotes que foram a leilão na Christie’s de South Kensington, em Londres.

   2. A rainha da Jordânia, Rania al Yassin  passou a receber atenção mediática a nível mundial. Com a ajuda de conselheiros de moda, viu o seu guarda-roupa ser elevado a um nível de elegância e de glamour quase incomparáveis: as roupas de corte oriental deram lugar a elegantes vestidos de alta-costura que passaram a ter a companhia de joias compradas nas mais conceituadas casas europeias. 

 

 

 

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3.  Mozah Bint Nasser Al Missned, ex-primeira-dama do Catar, mundialmente conhecida como Sheikha Mozah. Ela foi eleita uma das mulheres mais elegantes do mundo pela Vanity Fair e entrou pra lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo pela Forbes. 

Consumidora mais que assumida de alta costura e bens de luxo, Mozah criou o Qatar Luxury Group (Grupo de Luxo do Catar). Depois de adquirir a gigante Harrods, luxuosa loja londrina de departamentos comprada por 2,1 bilhões de dólares em 2010, o fundo de investimentos da família real do Catar comprou o Valentino Fashion Group por € 700 milhões, cerca de US$ 858 milhões.Ela tem um estilo muito marcante, isso é inegável. E esse estilo é tão forte, que ela ganhou ressonância global como um ícone da moda, sendo considerada por fashionistas e revistas globais como uma das mulheres mais elegantes do Oriente Médio e do mundo. Entre seus costureiros preferidos estão Valentino, Elie Saab, Dior, Jean Paul Gaultier e Stephane Rolland. Sheikha tem hoje 55 anos e está em todas as recepções mais importantes da realeza, com participação ativa nos principais casamentos e eventos reais.

Existem algumas brasileiras que também compram roupas da alta costura,  como Betty Lagardère,  ela colocou suas “relíquias” à mostra no Senac para que alunos possam ter o prazer de ver seus vestidos de alta-costura bem de perto.

Estão expostos 30 vestidos especiais, dentre seus estilistas, peças únicas de Yves Saint Laurent, Chanel  e Gaultier, mas predominam na exposição os looks criados para ela por Ungaro, de quem Bethy foi modelo nos anos 70.

Muitos dos vestidos Bethy usou apenas uma vez, O  Guy Laroche preto com decote de ombro a ombro com babado branco, por exemplo, ela nunca usou. “Vesti algumas horas, o tempo da prova de roupa, depois engordei um pouquinho e não coube mais em mim”, revela.

 

 

Eufrásia Teixeira Leite nasceu em 1850 na cidade de Vassouras, Rio de Janeiro. Ela foi uma mulher revolucionária, quebrando paradigmas da sociedade da época; teve um relacionamento com um político pernambucano chamadoJoaquim Nabuco e morou fora do Brasil durante grande parte de sua vida. Herdeira de muitas riquezas, Eufrásia investiu em ações, além de ter sido uma grande consumidora da Alta-Costura e amiga íntima da Princesa Isabel. Sendo assim, o Fashionatto não poderia deixar de dedicar uma de suas publicações a essa grande personalidade do século XIX e da moda brasileira.

Carmen Therezinha Solbiati Mayrink Veiga, bem-nascida, bem casada, bem vestida,  virava assunto por onde quer que passasse. Sua trajetória começa no interior de São Paulo, na pequena Pirajuí. Filha de um clã de cafeeiros e neta de barão, Carmen começou a ser superproduzida na infância pela mãe.

Na adolescência, foram os vestidos de baile que despertaram a sua paixão, numa espécie de sinal do futuro glamouroso que a esperava.

Na falta de uma costureira à altura, costumava ir até Bauru, a cidade ao lado, para encomendar seus looks de festa. “Eu nasci gostando de moda. Sempre fui interessada”, conta Carmen. Era o início de uma vida marcada por alta-costura e eventos mil.
Carmen já frequentadora dos desfiles parisienses de Alta Costura, e famosa no universo da moda, atraiu ainda mais a imprensa especializada no assunto, quando casou-se em 25 de junho de 1956 com o empresario, Antonio Alfredo Mayrink Veiga, filho do senador Antenor Mayrink Veiga e herdeiro de uma fortuna Multimilionária. 

E por fim, segue um vídeo muito interessante que explica toda esta trajetória da Alta costura. O canal é da Patrícia Cardoso. Segue o link

Poderia ficar escrevendo muito mais, e quem sabe eu faço a parte 2.

Abraços

 

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